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Nos primórdios do Escotismo Brasileiro Sênior ou
Pioneiro??
Os seniores realmente custaram a ter seu perfil definido pelos
nossos escotistas brasileiros. Na primeira edição do Guia do Escoteiro,
escrito pelo Velho Lobo (Almirante Benjamim Sodré), vejam como era feita
a apresentação do Ramo, que se confundia em muito com o Ramo Pioneiro.
Na
página 472 inicia o capítulo chamado “Pioneiros”e que tem como
sub-título “Escoteiros Seniores”. O texto se inicia assim:
“Em
geral os escoteiros atingindo 16 ou 17 anos perdem o interesse pelas
atividades da Tropa, sentem necessidades de um agrupamento e de um
gênero de vida mais consentâneo com a sua idade. Para atender a isso
Baden-Powell criou o movimento dos pioneiros (rover scouts)...
...
Pioneiro é o que vai na frente abrindo caminho, desbravando, mostrando a
direção a seguir. Um “senior” tem no movimento um papel moral
semelhante. Sempre na frente, guia os escoteiros, desvenda-lhes o
caminho, é o modelo. Modelo em tudo... ”
Como vêem, o próprio Velho Lobo usava inicialmente como sinônimo os
termos “pioneiro” e “escoteiros seniores”, embora a idade seja mais
semelhante a que hoje em dia utilizamos para o pioneiro, como vemos na
página 477, no item “As Provas”.
“Nenhum rapaz, a não ser em condições excepcionais, poderá ser
admitido como pioneiro antes de completar 17 anos”.
Mesmo assim os Pioneiros tinham etapas de classe e patrulhas, como
os seniores atuais. Vejam estes textos.
“O
grupo é dirigido por um Chefe e subdivide-se em Patrulhas. Cada patrulha
é constituída por 4 a 8 pioneiros...”.
“A Lei
e a Promessa são como para os Escoteiros.
A divisa: Servir!!
Os pioneiros são classificados em 2ª e 1ª classe...”
“Os
pioneiros além das especialidades escoteiras, com programas um pouco
mais desenvolvidos, podem obter as seguintes, caracteristicamente
pioneiras:
a) excursionista...;
b) instrutor em especialidades escoteiras...;
c) Pioneiro da Pátria...;
d) Corrêa de Mateiro.”
O
Escoteiro da Pátria inicialmente era a mais alta conquista feita por um
escoteiro. Por isso sua cor é verde, a cor do Ramo Escoteiro, e não
grená. O distintivo de Pioneiro da Pátria possuía um friso vermelho ao
redor do distintivo de Escoteiro da Pátria. Depois, quando o Ramo Sênior
se separou definitivamente do Ramo Escoteiro, na década de 70, foi
criado o distintivo de Lis de Ouro para os escoteiros, e o Ramo Sênior
continuou com o Escoteiro da Pátria, mantendo a tradicional cor verde.
A
Correia de Mateiro, posteriormente transformada em Insígnia de
Modalidade utilizada pela Modalidade Básica era assim, como vemos,
inicialmente uma Insígnia Pioneira, não prevista para escoteiros e era
concedida aos pioneiros (escoteiros seniores) que tivessem a 1ª classe e
fosse pioneiro instrutor nas especialidades escoteiras de acampador e
naturalista (ou observador) e uma das seguintes: astrônomo,
meteorologista ou mateiro, sendo já na época um cordão de couro usado no
ombro direito.
Mesmo com patrulhas e classes, contudo, o ênfase deste antigo ramo
era o serviço. Vejamos algumas sugestões de atividades para os
Pioneiros, encontrados no mesmo capítulo do livro.
“2 - Serviços públicos: aperfeiçoar os conhecimentos sobre socorros de
urgência, organizar serviços de auxilio aos bombeiros, polícia,
beneficências, postos de salvamento, semafórico, vigilância da costa,
etc; ...
5 - Assistência aos sentenciados e aos liberados condicionais: visitas e
assistência moral aos presos; colocação de trabalhos destes no comércio;
obtenção de trabalho para os liberados e fiscalização de sua conduta
quando restituídos a vida civil.”
Na
época o Velho Lobo ainda descreve a cerimônia de investidura pioneira,
destacando a importância da Vigília, tal qual mantém-se até os dias de
hoje ligada ao ramo pioneiro.
Outras características do Ramo Pioneiro que se mantém até hoje são a
cor vermelha e o uso, no lugar do bastão usado pelos escoteiros, de uma
“bengala longa terminada em y”, ou seja, a atual forquilha. |